Desculpa, sim?! Mas, hoje, “deu-me” para falar de nós em público. Não leves a mal, está bem? Eu que nem sou de grandes palavras, nem de grandes discursos, e quando abro a boca, normalmente, sai disparate. Mas, já andas a arranhar assim há tanto tempo. E, depois, de um dia torto como tive, e de algumas noites em branco e na previsão de mais uma série delas... fiquei assim sossegadita a saborear-nos em paz, para retomar energia. Pelo menos, um horita assim a sós contigo. Sabe bem, sabes? Ganho vida, ganhamo-nos.
E entre um golo de coca-cola, e umas batatas fritas e um pedaço de frango perguntei-te “Porque é que vale a pena? Como é que “isso” contribui para a minha felicidade?” E mal acabei de te perguntar mandei uma gargalhada, porque automaticamente respondi-me a mim mesma... e a seguir a ti. “Porque sim. Porque ao “ganhar-te”, “ganho-me”. Porque deixar que tu me conquistes, conquisto-me a mim mesma. Porque ao deixar que vivas em mim, renovo continuamente a vida. Porque comprometer-me contigo é comprometer-me com a minha felicidade no estado mais puro”. E mais um golo de coca-cola. E ficámos assim. Em silêncio. É bom este silêncio. Tu sabes como gosto do silêncio contigo. Nunca é sinónimo de vazio, mas sim de vida vivida e partilhada.
És tão verdadeiro e tão verdade que me chegas a assustar! Bolas, como és verdadeiro! Aprender a fiar contigo é caminho sem retorno. Sabes, é isso que sinto. Não tem retorno. Por seres tão verdadeiro. Por seres tão verdade. E, também, sei por experiência própria que nunca te impões. És tão respeitador que, às vezes, levas com a qualificação de atado. Um dia, ainda me hás-de explicar como é que tiveste paciência para esperares tanto tempo. És respeitador és, mas deixa lá que obstinação também não te falta. A proposição não tem algo de insinuação? A imposição não é insinuante... mas a proposição é! Tem algo parecido com um piscar de olho. Foste tu que não desististe ou fui eu que não desisti de mim? Ou fui eu, que ao procurar-me tanto, acabei por me encontrar, e por consequência, encontrarmo-nos? Assim, de porta escancarada, e tu a sorrires com aqueles olhos reguilas cheios de ternura? Nem sei bem. Mas, não é assim o jogo da sedução?
Ao encontrar-me contigo, dei de caras com o melhor de mim própria. O que é que isso mudou nos acontecimentos da história concreta do dia-a-dia? Nos acontecimentos nada! Os dias tortos e feios serão sempre, tortos e feios. Não foi por te ter dito o sim, que por magia tudo se tornou fácil, belo e rosa. Pelo contrário, obrigas-me a cada ginástica espácio-temporal e a cada rally... a uma gestão muito rigorosa do tempo... porque cada segundo só para nós se tornou o mais importante. O que é que mundou na perspectiva, na maneira de encarar a história concreta do dia-a-dia? Tudo! Passámos por cada uma, nestes últimos anos... e o que ainda está por vir... Mas mudou tudo como? Mudou! Não te sei explicar muito bem, mas mudou! Aprendi lentamente a olhar-te, a olhar-me, a olhar-mo-nos... a ver-te, a ver-me, a vermo-nos, e simultaneamente, a ver a história, o sentido dos dias, o sentido da história. Porque tem sentido. Não é apenas sucessão de dias e dias fio. Não é. Tem lógica. Se a minha tem contigo, quanto mais não tem a humanidade toda. Aprendi lentamente... pffff... estou sempre a aprender, essa é que é a verdade.
Não dá para te negar, porque ao negar-te, nego-me a mim mesma. Aquela foi talvez a mais acertada de todas, até hoje. Não digo decisão. Tu bem sabes que não foi uma decisão. Não sei que nome lhe dar. Entreguei-ta ... pffffff... entreguei-ta... também não é a palavra correcta. Deixa ver... Devolvi-ta. Ela já era tua e era! E ao devolver-ta, seguraste-me as duas mãos juntinhas, assim em forma de concha, e devolveste-ma pura, limpa, pacificada, alegre. E devolvi-ta agradecida e feliz. E um dia, apercebi-me que as 4 mãos, estavam voltadas duas a duas. Em dom e doação. E que nascia o que lhe chamo a irradiação.
Gosto tanto, quando ando entretida em tretas que não interessam nada, e sinto o teu olhar em mim. Assim, a contemplares-me. Tu a contemplares-me... Ou quando, ando a passear pelos caminhos do mistério maior e sinto o teu olhar a pousar em mim... tu já sentado à berma, como que a dizer, “Vá, descansa. Amanhã continuamos”. E depois, deito a cabeça no teu colo, sossegamos e saboreamos a nossa vida...
Amo-te.
Estes foram muito especiais.
Não foste. Não é passado.
És. E cada vez mais.
Obrigado por me teres amado assim.
Por me amares.
Guarda-me em ti.
